CERRADO E AGROEXTRATIVISMO
A Frente Parlamentar Ambientalista, a maior da Câmara Federal, não conseguiu colocar em votação o projeto de Emenda Constitucional que considera patrimônio nacional os biomas Cerrado e Caatinga.
Pela proposta, as áreas onde existem estas características passam a ser consideradas de preservação ambiental, como a Amazônia e a Mata Atlântica. Há uma fila de cinco outros projetos e Medidas Provisórias editadas pelo governo na frente.
Tratam de outros assuntos polêmicos. No acordo fechado na semana passada por todos os líderes partidários, a proposta de emenda constitucional não seria retirada de pauta, como vem ocorrendo há quase 20 anos. Mesmo demorado, o presidente da Câmara, Michel Temer, garantiu que o tema será votado após as férias de meio do ano dos parlamentares.
Os constituintes de 1988 definiram como biomas a serem preservados a Amazônia, a Mata Atlântica e o Pantanal. A Caatinga, o Pampa e o Cerrado ficaram fora da Constituição por falta de força política ou interesse dos deputados e senadores que na ocasião representavam os estados onde os três biomas incidem.
Na semana passada o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PM-MA), negociou com o presidente do antigo PFL, hoje Democratas, Rodrigo Maia (RJ), a votação do projeto de emenda dos três biomas. Mas o principal entrave para a aprovação do projeto é o deputado Ronaldo Caiado, líder do próprio Democratas na Câmara.
A aprovação da Emenda não interessa a Caiado porque sua família tem muita terra no interior de Goiás, explora carvão e tem interesse na instalação de médias e pequenas usinas hidrelétricas. Duas delas previstas para os arredores do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a 350 km de Brasília, com influência no interior da reserva.
Fundador da União Democrata Ruralista (UDR) nos anos 90, Caiado é o mais refinado representante dos ruralistas no Congresso. Médico, o deputado é grande pecuarista. Ele é mais antigo e determinado que a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu, do Tocantins.
Arquivado em 25/06/2009