OUTRO AMBIENTE É POSSÌVEL E NECESSÁRIO
MEU CANTO, MEU DESENCANTO
Em São Paulo, maior metrópole do continente, a qualidade do ar está comprometida de forma quase irreversível. As reservas naturais, cada vez mais degradadas, colocam em risco o abastecimento de água, enquanto as autoridades insistem num modelo de crescimento ilimitado.
Demonstrando despreparo quanto ao que fazer para o futuro, a Prefeitura paulistana está propondo mudanças para desfigurar o Plano Diretor da cidade, no momento em que deveríamos nos concentrar na discussão do projeto que propõe um CÓDIGO AMBIENTAL próprio, em tramitação na Câmara Municipal.
Enquanto em Brasília, o governo anuncia um programa habitacional para a construção de 1 milhão de moradias para populações de baixa renda, a maior e mais rica cidade do continente devolve recursos federais pela ausência de projetos nessa área (avalia-se que, só em 2008, mais de 100 milhões de reis retornaram aos cofres públicos),
Cresce a população jogada em situação de rua, edifícios permanecem fechados em áreas centrais da cidade, especialmente nas ZONAS ESPECIAIS DE INTERESSE SOCIAL (ZEIS) previstas no Plano Diretor que a prefeitura agora quer eliminar para beneficiar a especulação imobiliária.
Torna-se, portanto, urgente a retomada de ações transformadoras por parte dos movimentos sociais na luta por moradia, de forma a se contrapor aos interesses do capital imobiliário, cujas entidades representativas, recentemente, tiveram exposta sua hipocrisia ao financiar descaradamente políticos que se sujeitam à sua lógica na Câmara Municipal.
MINHA CIDADE, FELIZ CIDADE?
Enquanto o problema habitacional se agrava e se aprofundam as distorções que beneficiam a especulação imobiliária, a ausência de políticas públicas para o meio ambiente urbano vem favorecendo a política higienista do Governo Serra ao tratar da ocupação desordenada das áreas de preservação com a retirada das comunidades pobres sem garantir-lhes alternativas sustentáveis.
Embora a prefeitura paulistana venha arrecadando milhões com a venda de créditos de carbono a partir de lixões encerrados que continuam contaminando áreas do entorno, colocando em prática o “jeitinho brasileiro” de burlar as regras do Protocolo de Kioto com a produção de energia limpa a partir de fontes sujas, não há investimentos na redução, reutilização ou reciclagem de resíduos e nem tão pouco em educação para o consumo consciente.
Uma das conseqüências dessa irresponsabilidade se comprova pela poluição causada por plásticos não recicláveis jogados no ambiente, fruto da distribuição indiscriminada de sacolinhas de plástico convencional cada vez mais grossas pelo comércio em geral e, em especial, por grandes redes de supermercado como Pão de Açúcar e Carrefour, entupindo bueiros, agravando a ocorrência de enchentes e servindo para a proliferação da dengue e febre amarela.
MEU MUNDO, SEM FUNDO?
Regido por leis naturais próprias, capazes de garantir sua existência, o planeta reage às agressões crescentes. As mudanças bruscas do clima provocam catástrofes cada vez mais freqüentes e deveriam servir de alerta para a humanidade de que, na verdade, não existem garantias quanto a seu futuro.
É no contexto do que isso representa onde vivemos ou sobrevivemos, é que a DEFENSORIA SOCIAL promove, neste dia 5 de junho (sexta feira) DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE o seminário “Meu canto, minha cidade, meu mundo: um outro ambiente é possível”.
São Paulo, 05 de junho de 2009